O termo “cardiomiopatias” foi usado pela primeira vez por Wallace Bridgen, ao se referir a doenças do músculo cardíaco, não relacionadas a obstrução coronariana, de causa geralmente desconhecida.
Desde então, ao longos dos anos, já foram propostas diversas classificações para as cardiomiopatias por diferentes sociedades médicas. Veja abaixo:

Numa acepção bastante ampla, podemos considerar cardiomiopatias como doenças primárias do músculo cardíaco, não explicadas por obstruções coronarianas, doenças das valvas cardíacas, hipertensão ou defeitos congênitos. Também sabemos hoje que a maioria das cardiomiopatias tem um fundo genético, podendo ser influenciada por fatores ambientais (por exemplo: álcool ou infecções). Os tipos mais comuns são: dilatada, arritmogênica, hipertrófica e restritiva. Falaremos abaixo um pouco sobre cada uma delas.
Cardiomiopatia dilatada
É o tipo mais comum, com uma prevalência estimada em 0,4% da população. É caracterizada pela dilatação progressiva do coração e perda da força de contração. Os sintomas esperados são os típicos de insuficiência cardíaca, ou seja, falta de ar aos esforços ou até em repouso, inchaço nas pernas e dificuldade para respirar ao deitar-se.

Cardiomiopatia hipertrófica
É uma doença com forte carga genética. Sua prevalência é estimada em 0,2% da população. É caracterizada pelo espessamento progressivo das paredes do coração, que pode resultar em uma dificuldade na passagem do sangue. Os sintomas típicos são falta de ar, dor no peito e desmaios. Podem ocorrer arritmias graves que podem resultar em morte súbita. Um CDI pode ser indicado pelo seu médico para proteção contra arritmias graves.

Cardiomiopatia restritiva
São caracterizadas por aumento na rigidez do coração, dificultando o relaxamento do mesmo durante a fase que o coração se enche de sangue. Podem ser causados por depósito de substâncias no coração (exemplo: amiloidose, hemocromatose) ou de origem genética. O tratamento é mais difícil e consiste na administração de diuréticos para evitar retenção de líquidos e suporte clínico. Em alguns casos mais graves, pode ser necessário até transplante cardíaco.
Cardiomiopatias arritmogênicas
Anteriormente era denominada displasia arritmogênica do ventrículo direito. É caracterizada pela substituição de células do músculo cardíaco por células adiposas (ou seja células de gordura). Inicialmente esse processo foi identificado nas células do ventrículo direito, mas hoje sabemos que pode ocorrer em ambas câmaras do coração. Sua prevalência é estimada em 0,02 – 0,05% da população.

Quer saber mais ?
Leia o artigo publicado por Dr Ciro para a revista da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP) sobre Epidemiologia e Classificação das Cardiomiopatias:

“Epidemiologia e Classificação das Cardiomiomiopatias” – Rev Soc Cardiol Estado de São Paulo 2023;33(3):261-4
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Dr Ciro é médico cardiologista com experiência no diagnóstico e tratamento de cardiomiopatias e epecialização em Insuficiência Cardíaca pela USP
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